ESTAMOS EVOLUINDO RÁPIDO DEMAIS OU ESTAMOS EM CONTAGEM REGRESSIVA PARA O FIM?
A inteligência artificial avança rapidamente, mas por trás dos sistemas digitais existe uma enorme infraestrutura física: os data centers, responsáveis pelo processamento e armazenamento de grandes volumes de dados.
É justamente sobre os custos dessa expansão que o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis vem fazendo um alerta.
QUEM É MIGUEL NICOLELIS
Médico e neurocientista, Nicolelis é membro titular da Academia Brasileira de Ciências e ficou internacionalmente conhecido por suas pesquisas sobre cérebro, neuropróteses e interfaces cérebro-máquina.
Nos últimos anos, também passou a questionar os impactos da expansão da inteligência artificial e da infraestrutura necessária para mantê-la funcionando.
O ALERTA
Nicolelis critica o crescimento acelerado dos grandes data centers e chama atenção para aquilo que normalmente fica escondido por trás da tecnologia: o consumo de recursos naturais.
Em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos, o cientista utilizou a expressão “parasita digital” para apresentar sua crítica à forma como determinados sistemas de inteligência artificial dependem de enormes estruturas computacionais e recursos naturais.
A preocupação envolve principalmente água, energia e impactos ambientais.
A ÁGUA
Data centers precisam retirar o calor produzido continuamente por seus equipamentos. Dependendo da tecnologia utilizada, o sistema de resfriamento pode consumir grandes quantidades de água.
O problema ganha outra dimensão em regiões que já enfrentam períodos de escassez.
A pergunta passa a ser:
Em uma situação de falta de água, quem terá prioridade: a população ou uma gigantesca estrutura de processamento de dados?
Especialistas também levaram essa preocupação ao Senado, onde foram discutidos os possíveis impactos da expansão dos data centers sobre os recursos hídricos brasileiros.
A ENERGIA
Outro desafio é o consumo de eletricidade.
Grandes data centers funcionam continuamente e podem exigir enorme capacidade energética. A Empresa de Pesquisa Energética registrou crescimento expressivo dos pedidos relacionados a novas conexões de data centers e destacou a necessidade de investimentos na infraestrutura elétrica.
Durante debates no Senado, especialistas também levantaram a possibilidade de impactos desses investimentos sobre os custos suportados pelos consumidores.
O BRASIL ESTÁ INCENTIVANDO A EXPANSÃO
O debate ganhou ainda mais importância após a sanção, em 15 de setembro de 2026, da Lei nº 15.504, que criou o Redata, regime especial de tributação destinado a estimular investimentos em data centers no país. Isso mesmo que você leu!
O governo argumenta que a medida pode atrair investimentos, fortalecer a infraestrutura digital brasileira, estimular tecnologia e reduzir a dependência de serviços processados no exterior.
A legislação também estabelece contrapartidas relacionadas a pesquisa e desenvolvimento e prevê critérios ambientais, incluindo eficiência hídrica e utilização de energia de fontes renováveis ou de baixa emissão, conforme regulamentação.
O PONTO CENTRAL DO ALERTA
É nesse ponto que surge a principal questão levantada por Nicolelis e por outros especialistas:
Não basta perguntar quanto um data center pode gerar de investimentos. É preciso perguntar quanto de água e energia ele consumirá, quem financiará a infraestrutura necessária e quais serão os impactos para as comunidades onde essas estruturas forem instaladas.
A discussão, portanto, não envolve apenas tecnologia.
Envolve recursos naturais, infraestrutura, dinheiro público, consumidores e qualidade de vida.
UMA DISCUSSÃO QUE JÁ CHEGOU AO SENADO
Em audiência pública realizada em agosto de 2026, especialistas discutiram os impactos da expansão dos data centers de inteligência artificial no Brasil.
Entre as preocupações apresentadas estavam:
- consumo de energia;
- consumo de água;
- necessidade de expansão da infraestrutura elétrica;
- possíveis impactos para consumidores;
- localização dos empreendimentos;
- impactos ambientais;
- necessidade de regulamentação adequada.
Assim, o alerta sobre os data centers deixou de ser apenas uma discussão tecnológica e passou a fazer parte de um debate mais amplo sobre o modelo de desenvolvimento que o Brasil pretende adotar.
A PERGUNTA QUE FICA
A questão não precisa ser simplesmente ser contra ou a favor da inteligência artificial.
A pergunta é:
Que tipo de desenvolvimento tecnológico o Brasil quer construir e qual será o custo ambiental, energético e social dessa expansão?
Porque, por trás de cada sistema de inteligência artificial, existem máquinas, servidores, eletricidade, água e infraestrutura.
E esses recursos pertencem ao mundo real, o mesmo mundo onde vivem milhões de pessoas. E não precisa ser especialista para identificar o que essas BIG-TECHs causaram no mundo e aqui no Brasil. Os megas bilionários, miram essas instalações no Brasil, para manter seus impérios ativos, ainda que leve ao sacrifício da sobrevivência humana.
NB7 News

