Tenente Geraldo estava no AVANTE e integrava o grupo político de José Roberto Arruda, mas decidiu mudar de lado diante de duas circunstâncias que, naquele momento, pareciam favorecer seus planos para 2026. De um lado, Geraldo apostou que Arruda não conseguiria ser candidato ao Governo do Distrito Federal. Do outro, acreditou nas promessas de Celina Leão, que envolviam cargos e dinheiro para sua campanha. Com essas duas apostas sobre a mesa, abandonou o antigo grupo e migrou para o PODEMOS.
A escolha significou uma traição a Arruda justamente quando havia incerteza sobre seu futuro eleitoral. Geraldo preferiu apostar que o ex-governador estaria fora da disputa e seguir o caminho oferecido por Celina, mas o acordo que imaginava ter feito começou a ruir. Os cargos e o dinheiro prometidos não vieram e nem mesmo a proximidade política esperada se concretizou. A distância é percebida publicamente, inclusive pela ausência de Celina ao lado do Tenente em agendas e registros políticos.
O problema se tornou ainda maior porque Geraldo descobriu que sua situação no PODEMOS também não é confortável. Apesar dos cerca de 14 mil votos obtidos na última eleição, ele entrou em uma nominata que tem Robério Negreiros como favorito e ainda reúne Telma Rufino, Suzele Veloso e Ana Paula Marra, que aparecem com força nas pesquisas e contam com significativa estrutura política e eleitoral. A expectativa é de que o partido faça possivelmente uma cadeira na CLDF e, mesmo na hipótese de conseguir duas, Geraldo terá uma disputa difícil para estar entre os eleitos.
Enquanto a aposta em Celina dava errado, o cenário de Arruda começou a mudar. O pedido de vista de Gilmar Mendes suspendeu o julgamento da ADI que trata das alterações na Lei da Ficha Limpa e fortaleceu a perspectiva de participação do ex-governador nas eleições. Paralelamente, o AVANTE passou a trabalhar com a possibilidade de eleger dois deputados distritais, com uma faixa entre 15 mil e 20 mil votos para os nomes que ocuparem as primeiras posições da chapa.
Há ainda um fator que tornou o partido abandonado por Geraldo mais cobiçado. Caso Arruda seja eleito governador, deputados da base poderão assumir secretarias e abrir espaço para os suplentes na Câmara Legislativa. Assim, uma chapa que inicialmente faça dois deputados poderá, ao longo de um eventual governo, permitir que o terceiro e até o quarto colocados também assumam mandato.
Foi diante dessa combinação que Geraldo tentou voltar ao AVANTE. Sem receber aquilo que Celina havia prometido, pressionado por uma nominata difícil no PODEMOS e vendo Arruda novamente com perspectiva de disputar o Buriti, o Tenente procurou o partido que havia abandonado e tentou refazer o caminho.
Só que o cenário havia mudado também para quem ficou.
A tentativa de retorno foi negada pelo AVANTE, fazendo Geraldo experimentar o preço da própria escolha. Ele abandonou Arruda quando apostou que o ex-governador não estaria nas urnas e acreditou que encontraria em Celina cargos, dinheiro e sustentação para sua campanha. Quando percebeu que as promessas não seriam cumpridas e que Arruda continuava no jogo, quis voltar.
Desta vez, porém, o grupo que havia sido traído não abriu a porta.
NB7 News.

